sexta-feira, 28 de setembro de 2012


“(...)Primeiro, a verdade é que sou hipócrita. Vivo censurando os que pensam. Vivo a criticar, ferinamente, àqueles que se comportam racionalmente diante dos presságios do amor. Mas quando o amor, subitamente, entra pelas portas dos fundos, pula a janela para dentro de casa sem que eu não esteja de olhos postos a observar-lhe o comportamento, eu penso. Penso tanto e penso tanto as possibilidades de dar certo ou não que, quando procuro o amor, quando corro ao seu encontro disposto a me soltar, me aventurar nesse perigo, este já tem ido embora. Que espécie de gente sou? Que deixa o amor escapar por cautela de se ferir? Gente como eu, para não se hipócrita, deveria não temer a dor, nem as cicatrizes quilométricas que restam depois. Gente como eu deveria amar até mesmo a ideia efêmera de que o amor é pra sempre.”

[Ozzi Cândido-  A história de que a-maré-é-simples. Contos revisados e distribuídos. Todos os direitos reservados a Editorial Emporio das ideias LTDA. Recife 20 de janeiro de 2010]

quinta-feira, 27 de setembro de 2012


' Quero que a entidade que é o amor se aposse de mim. Assim: o amor puramente amor. Sem os olhos, sem as bocas a me comerem Sem os pés a me chutarem... sem as mãos. Quero que o amor seja uma pele que a entidade que sou: habite. Quero esquecer do resto. Porque depois do amor, tudo é resto. Serei eu para o amor, e o amor para mim. Espelhos velhos: com os nervos entrevados, com as gargantas secas com os sexos extintos. Mas o tempo é grave, às vezes, até, prepotente. Eu quero que a entidade que é o amor se aposse de mim.  Quero ser possesso de amor, e d’ele, jamais exorcizado. Porque eu quero amar o mundo: as folhas secas, o maturi do cajueiro, quero amar, voraz, meu inimigo. Vem amor, eu te invoco, eu te prometo, eu te alisto... Destrói a guerra que sou, pisa em meu dorso, ergue-te sobre minha face languida de Deus. Eu quero que a entidade do amor me possua: eu que tenho o coro negro eu que já nasci predestinado a servir-te.

[ Ozzi Cândido – Poesia contemporânea sem vaidade, revisada e escolhida – todos os direitos reservados a Editorial Emporio das Ideias LTDA. Recife 14 de abril de 2011.]

sábado, 22 de setembro de 2012

"Eu gosto de quem facilita as coisas. De quem aponta caminhos ao invés de propor emboscadas. Eu sou feliz ao lado de pessoas que vivem sem códigos, que estão disponíveis sem exigir que você decifre nada. O que me faz feliz é leve e, mesmo que o tempo leve, continua dentro de mim. Eu quero andar de mãos dadas com quem sabe que entrelaçar os dedos é mais do que um simples ato que mantém mãos unidas. É uma forma de trocar energia, de dizer: você não se enganou, eu estou aqui. Porque por mais que os obstáculos nos desafiem, o que realmente permanece, costuma vir de quem não tem medo de ficar."

[Fernanda Gaona]
"Então, por que tudo isso?, você poderia pensar. Essa exposição do que não fiz, esse inventário de vinganças abortadas. Uma forma sutil de castigo? Uma declaração de amor? Eu não sei, talvez apenas fraqueza, para que você sorria ou sofra, ou talvez uma forma de te querer, de te alcançar, para estabelecer entre nós um elo, um elo impossível, que eu só estabeleço porque estou aqui, porque há essa distância entre o que escrevo e o que você lê, porque há dias não tomo banho, não penteio o cabelo, não saio de casa."

[Carola Saavedra in: Flores Azuis. Ed. Cia das Letras]

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

 "[...]




Enfim, por muito mais tempo do que desejaria, mantive na ponta da língua tudo o que eu devia te dizer, e tudo o que você merecia ouvir, e tudo. Mas você não ligou. Mando esta carta, portanto, sem esperar resposta. Nem sequer espero mais por nada, em coisa alguma, nesta vida, para ser sincera. No que se refere a você, especialmente, porque o vazio do seu sumiço já me preenche; tenho nele um conforto que motivos não me trarão.
Não me responda, então, mesmo que deseje. Não quero um retorno; quis, um dia, uma ida. Que não aconteceu, assim deixemos para lá.
 Estaria, entretanto, mentindo se não dissesse que, aqui dentro, ainda me corrói uma pequena curiosidade. Pois não é todo dia que uma pessoa não vai e não liga, né? As pessoas guardam esses grandes vacilos para momentos especiais, não guardam?
Então, eis a minha única curiosidade: você às vezes pensa nisso, como eu penso? Com um suave aperto no coração? Ou será que você foi apenas um idiota que esqueceu de ir?"

 [Fernanda Young]

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

"O sistema de esgoto humano é a maior invenção do mundo.
E você me inventou e eu inventei você.
E é por isso que nós não damos mais certo nesta cama.
Você era a maior invenção do mundo até que resolveu me mandar descarga abaixo."

[Charles Bukowski]
 "Somos um canal de televisão que saiu do ar e como ninguém desliga o aparelho de TV fica aquele xiado incomodando no escuro. Somos a lembrança de beijo que não foi dado. Se você não queria ser feliz comigo, saberá ser infeliz sozinha."

[Trecho do filme 'Divã']

quarta-feira, 12 de setembro de 2012


"(...) Ando exausto de tudo que é matemática e exatidão: eu desejo a falha na ordem. Quero a liberdade de poder ser banal."

[Ozzi Cândido]

"Para o desejo do meu coração, o mar é uma gota."

[Adélia Prado]

"Já não falei pra você que intelectualismo não é comigo, baby? Abaixo a razão e o pensamento! O negócio é só sentir, meu irmão, só sentir. Pensar já era. Pensar acabou, não se usa mais."

 [Caio Fernando Abreu]

"Então, quando você me beijar, vai sentir o gosto da minha escrita, pois a fim de nunca esquecê-las eu trago todas as minhas palavras na ponta da língua"

[Rita Apoena]

"...cedendo em um devaneio sistemático que ela descrevia como seu teatro particular."

 [Sigmund Freud]

"Eu deixo aroma até nos meus espinhos !"

[Matha Medeiros]

segunda-feira, 3 de setembro de 2012


"(...) Mas se eu te dou amor e tu me doas amor, de volta: o que mais lembrarei de pedir nessa vida, quais motivos terei a mais para perturbar os deuses?"

[Ozzi Cândido]