sexta-feira, 31 de agosto de 2012


"Deixa que a loucura escorra em tuas veias."

[Caio Fernando Abreu]

"As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra."

[Carlos Drummond de Andrade]

"Algo está por acontecer. O imprevisto me fascina"

[Clarice Lispector]

10 de março de 1912

 "Mary, minha adorada Mary — em nome de Deus — como você pode achar que me está dando mais sofrimento que alegrias? O que fez com que pensasse desta maneira? Ninguém sabe direito qual é a fronteira entre a dor e o prazer; muitas vezes eu penso que é impossível separá-los. Mary, você me dá tanta alegria que ela chega a doer, e você me causa tanta dor que eu chego a sorrir."

[As cartas de amor de Kahlil Gibran]

quarta-feira, 29 de agosto de 2012


'Agora sou uma pensão.
Há vagas!
Alugo meu coração para qualquer bom sentimento!'

[Cáh Morandi]

Então eu virei pra ela e falei assim: 'Ah, nada, boba... também é assim, se der, bem, se não der, amém, toca pra frente.' .

 [Adélia Prado]

'Eu mesma não entendo minha enormíssima paciência de ficar à toa, só pensando, pensando e sentindo. ' .

[Adélia Prado]

"Seria mais fácil fazer como todo mundo faz ... Mas nós vibramos em outra frequência..."

[Engenheiros do Hawaí]

Chega um momento em que somos aves na noite. Pura plumagem, dormindo de pé, com a cabeça encolhida. O que tanto zelamos na fileira dos dias, o que tanto brigamos para guardar, de repente não presta mais: jornais, retratos, poemas, posteridade.
Minha bagagem é a roupa do corpo.

[ Fabrício Carpinejar]

sexta-feira, 24 de agosto de 2012


"Abraço meus braços para o dia que nasce, não tenho mais medo de sentir o gosto da vida. E é assim que me preparo para a chegada triunfal do mês seguinte. O bom de agosto, é que depois é sempre setembro."

 [Mazes Coen]

segunda-feira, 20 de agosto de 2012


"Desculpa coração, mas quem vai mandar nesta porra agora sou eu."

[Tati Bernardi]

"foca e sente, laura, que a vida é sagaz e gosta de jogar. às vezes, laura, o jeito mais bonito de continuar é parar."

[Renata Carneiro]

"Muito mexicana essa minha vida, muita intensidade, muito momento, sobra pouco pra amanhã. O que vem depois só me interessa depois."

[Verônica H.]

sábado, 18 de agosto de 2012

Para dizer adeus.


Fiquei triste. Num momento você estava aqui, no outro já não estava. Igual a um bicho de estimação que morre de repente e somem com o corpo. Para onde foi tudo aquilo? Que tínhamos tão seguro. Tão certos de sua eternidade. Para onde foi, hein? Meu peito, depósito subitamente esvaziado, aperta-se no meio de tanto espaço. Tento identificar o instante, quando o que tínhamos se perdeu. Mas nem sei se o perdemos juntos ou se juntos já não estávamos. Me desespera saber que um amor, um dia desses tão grande, possa ter desaparecido com tanta facilidade.
 Como já disse, estou triste; e isso me faz acreditar no poder das cartas. Não falo de tarô, mas destas, escritas e mandadas ou não mandadas. Cheias de questões e metáforas, que assim, misturadas cuidadosamente, num cafona português polido, soam mais sensatas. Qual poder espero desta carta? Simples: que deixe registrado este meu estranho momento. Quando o que devia ser alívio revela-se angústia. E a cabeça não pára, vasculhando cantos vazios.
Não gosto de perder as minhas coisas, você sabe. E hoje, cercada pela sua ausência, procuro o que procurar. Experimentando o desânimo da busca desiludida. Pois, se um amor como aquele acaba dessa maneira, vale a pena encontrar um outro? Será inteligente apostar tanto de novo? Aposto que você está pouco se lixando para isso tudo. Que seguiu sua vida tranqüilamente, como se nada de tão importante tivesse ocorrido. E está até achando graça desta minha carta, julgando-a patética e ridícula. Você, redundante como sempre. Só há uma coisa certa a respeito disso: não desejo resposta sua. É, esta é uma daquelas cartas que não são para ser respondidas. Apenas lidas, relidas, depois picadas em pedacinhos. Sendo esse o destino mais nobre para as emoções abandonadas.
 Queria apenas pedir um favor antes que você rasgue este resto do que tivemos. Se algum dia, tendo bebido demais, sei lá, você acabar pensando tolices parecidas com estas, escreva também uma carta. Mesmo sem jamais saber o que você irá dizer, sei que ela fará de mim menos ridícula. Neste amor e, por isso, em todo o resto. Pois adoraria que você fosse capaz de tanto - escrever uma carta é um ato de desmedida coragem. E eu ficaria, enfim, feliz comigo, por tê-lo amado. Um homem assim, capaz de escrever bobagens amorosas. Então é isso - como sou insuportavelmente romântica, meu Deus. Termino aqui essa história, de minha parte, contando que estas palavras façam jus ao fim do amor que senti. E deixando este testamento de dor, onde me reconheço fraca e irremediável. Porque ainda gostaria de poder acreditar que você nadaria de volta para mim. 

[ Fernanda Young]

terça-feira, 14 de agosto de 2012


"Estou perdendo as minhas ilusões, talvez, para adquirir outras novas."

[Virginia Woolf]

"O encurtamento dos olhos é só do lado de fora, por dentro eu vejo muito comprido"

[Ana Jácomo]

"Tem uma teoria de emoções que diz que a gente fica alegre porque ri."

[Clarice Lispector]

"Ele disse:
- Você parece mel.
Ela disse:
- E você um girassol."

[Caio Fernando Abreu]

- vou parafrasear Thoreau então: "no lugar do amor, dinheiro, fé, fama e formosura...dê-me a verdade." 

[Trecho do filme Na Natureza Selvagem]

"(...) Cuidado, meu bem!
Você me deixou tão livre, que dia desses não retorno mais para casa."

[Ozzi Cândido]


'Por tudo o que me deste
inquietação, cuidado
um pouco de ternura
é certo, mas tão pouca
Noites de insônia
Pelas ruas como louca
Obrigada, obrigada

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais, depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita a minha gratidão
Que bem que me faz agora
o mal que me fizeste
Mais forte  e mais serena
E livre e descuidada
Sem ironia amor obrigada, obrigada
por tudo o que me deste.

Por aquela tão doce e tão breve ilusão
Embora nunca mais, depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui.'

[Canção Grata - Florbela Espanca]

domingo, 5 de agosto de 2012


"(...) A gente só mantém cativo as coisas que tememos."

[Ozzi Cândido]

quinta-feira, 2 de agosto de 2012


 "Gosto de pensar que quem já morreu fica num lugar quentinho, que a gente não vê, cuidando de quem ainda não morreu. E se você quiser agradar a essa pessoa, é só fazer coisas que ela gostava. Aí ela fica ainda mais quentinha e cuida ainda melhor da gente."

[Caio Fernando Abreu em: As Frangas, editora Globo, página 10]